Eu hoje tive um pesadelo
E levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo
E procurei no escuro
Alguém com o seu carinho
E lembrei de um tempo

Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo

Hoje eu acordei com medo
Mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via o infinito
Sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo
Era uma coisa sua que ficou em mim, que não tem fim

De repente, a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu há minutos atrás

Poema, Cazuza e Frejat.

Poema que Cazuza escreveu para a avó aos 17 anos e que, mais tarde, Frejat musicou para o Ney cantar.

Letras como esta me fazem pensar em todo o material que o Cazuza teria escrito se ainda estivesse vivo. E também no vazio que é a minha produção pessoal. Cheguei aos 32 sem nada nas mãos.