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Tarantino é um sucesso. Talvez seja hoje o diretor mais autoral que consegue arrecadar mais dólares na bilheteria. Tudo isso com muita violência, sangue e surpreendentes indicações ao Oscar. O público mainstream é apaixonado por seus excessos e exageros, a ponto de encarar como uma ofensa as críticas ao diretor.

Goste ou não, Tarantino é um cineasta de altos e baixos. Depois de dois filmes espetaculares (“Cães de Aluguel” e “Pulp Fiction”) escorregou no fraquíssimo e já esquecido “Jackie Brown”. Balançou no mediano “Kill Bill 1”, para se recuperar na ótima sequência “Kill Bill 2”. Em seguida, novo tropeço: o divertido, mas também bem mediano, “À Prova de Morte”. Finalmente, um de seus grandes filmes, “Bastardos Inglórios”. Em “Django”, Tarantino errou a mão. Talvez seja seu maior tropeço.

O engraçado é que foi no gênero mais adorado pelo cineasta, uma homenagem ao western spaghetti.

O filme começa muito bem com a libertação de Django e a morte dos Brittle Brothers. Depois, entra numa decrescente desesperadora: um segundo ato sem muito brilho na fazenda do personagem de Leonardo DiCaprio até um péssimo e bocejante terceiro ato com a reviravolta de Django.

Se não fosse por Christoph Waltz, o filme não teria quase nenhum brilho. Com diálogos surpreendentemente rasos e sem ritmo dramático, o filme muitas vezes se arrasta nas suas quase 3 horas. Waltz deita e rola com seu personagem, ofuscando totalmente o bom Jamie Foxx. DiCaprio imprime maldade no olhar, mantendo um perigo sempre iminente, mas este mesmo personagem nas mãos de um Waltz renderia muito mais.

Não é um filme ruim. Aliás, é bem divertido, apesar de muitas vezes arrastado. Mas é muito irregular e, em se tratando de Tarantino, sempre criamos grandes expectativas. É um filme bem cinco e meio que se sustenta em algumas poucas cenas boas – como a dos cavaleiros encapuzados – e algumas tomadas marcantes – como o sangue nas flores e a câmera lenta mostrando as patas do cavalo na morte de Ben Johnson. Aliás, tirando esta cena, a câmera lenta é mal utilizada em quase todo o filme, assim como o uso esquisofrênico dos mais variados gêneros musicais na trilha. Não quero nem avaliar a participação do diretor como ator, que chega a ser risível, apesar de ser num dos momentos que deveriam ser mais dramáticos do filme.

O filme é mais do mesmo. Talvez, por isso, toda essa sanguinolência tarantiniana já esteja cansando. até o final é uma repetição de Bastardos: “vamos queimar tudo e acabar o filme”.

Enfim, decepcionante este irregular filme de Tarantino. Talvez o cineasta tenha sentido a mesma coisa e por isso tenha se explodido pelos ares.

Que venha o próximo.

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