Estes meses de pré-Oscar são complicados. A gente acaba dando mais atenção aos grandes favoritos, aos mais indicados, e algumas pérolas acabam se perdendo nesse mar de filmes. Os distribuidores deixam para inundar o circuito nesta época. Uma pena, pois pouca gente vem dando atenção a “O Mestre”.

 

Paul Thomas Anderson é dos meus diretores favoritos. O poderoso “Magnólia” está no meu Top5 da vida. Tendo dito isso, não releve quando eu chama-lo de gênio. Porque, de fato, ele é. Porra, ele fez Magnólia aos 29.

 

“O Mestre” é sua nova obra-prima. Lembrada no Oscar nas categorias de interpretação e esquecida em Filme, Diretor e Roteiro, traz uma história inspirada no nascimento da cientologia. Um homem perdido, vivido de forma incrível por Joaquin Phoenix, encontra abrigo no culto A Causa, de um líder religioso interpretado de forma não menos incrível por Philip Seymour Hoffman.

 

Não é um filme fácil. Não é hollywoodiano, não é de entretenimento. Quase não tem história, porque ali, pouco importa o que acontece. PT Anderson nos mostra os personagens e como eles lidam com os fatos. É isso que interessa a ele.

 

Phoenix, contorcido fisicamente entre a agonia e a miséria, sempre prestes a explodir e sem ter nada a perder na vida, é um ímã do olhar. É mais um soldado que voltou da 2a Guerra Mundial sem perspectiva e com parte de sua vida perdida.

 

A trilha sonora de Johny Greenwood, do Radiohead, que já havia trabalhado com Anderson em “Sangue Negro”, é hipnótica. Estranha, fora de timing e inusitada, foge do convencional, dando novas interpretações e possibilidades às cenas.

 

Talvez seja o filme mais maduro de Anderson, que permanece surpreendentemente como um espectador. Há cenas de plano e contra plano em que, ao contrário do que é sempre feito (corta para ator 1 quando ele fala, corta para ator 2 quando este responde) ele permanece muito tempo em um dos personagens, depois corta para o segundo e novamente permanece muito tempo nele. Há cenas em que a câmera está num ambiente diferente dos personagens, numa outra sala, num outro quarto. É tudo muito pensado e calculado.

 

Enfim, para quem quiser apreciar uma obra de arte, uma obra de mestre, este filme é imperdível.