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Sexta-feira passada, cruzei São Paulo num táxi de absurdos 60 reais e caí de paraquedas no Espaço das Américas. Talvez a pior casa de shows de São Paulo. Lugar perfeito para uma apresentação da Ivete Sangalo.

Para alguém como eu, que não ia a shows pop há muito tempo e que, quase toda semana, marca presença em algum show indie, este foi uma verdadeira experiência antropológica.

É tudo muito diferente. A começar pelo público, de circunferência bem maior que o normal. Cada pessoa ocupava um espaço muito maior do que eu estou acostumado, afinal, hoje o brasileiro tem quase o mesmo peso médio de um norte-americano.

Outra grande diferença é a pontualidade. Ali, voltei ao Brasilzão de sempre. Marcado para as 21h, cheguei as 22h, já prevendo o atraso da artista brasileira. Pois a estrela subiu ao palco por volta de 0h. Isso mesmo, 3 horas de atraso. Eu que estava acostumado à pontualidade das bandas britânicas ou atrasos de 30 minutos quase morri. Sendo que eu trabalharia no dia seguinte, um sábado, às 9h.

Em pouco tempo, o lugar se transformou numa sauna. Mas em vez do cheiro de eucalipto, vinham aromas mais primitivos e carnais, com destaque para o famoso CC e o cheiro de gases. Sim, a combinação da gordura, com a cerveja quente e a movimentação insana do corpo gerava muita flatulência. A própria Ivete falou no palco que sua barriguinha se devia ao formato do vestido e aos gases que ela não tinha soltado antes de subir ao palco. Palavras dela.

Você não imagina como era irônico ouvir a Ivete cantar “Como se eu fosse flor você me cheira” e sentir toda aquela gama de odores ao mesmo tempo.

Estes cheiros, o suor, a música, tudo lembrava o Carnaval. Aquele Carnaval bem de fim de noite, onde só sobram dragões para os incansáveis guerreiros.

O show é muito movimentado, com muita dança, gritos e sacudidas de esqueleto. Indies normalmente pulam no mesmo lugar, no mesmo eixo. Fãs de axê não. Eles pulam pro lado, pra frente, pra trás, pra onde der na telha. Você não consegue sair para pegar uma cerveja e voltar para o mesmo lugar. Seus amigos terão mudado em pouco tempo. Eu devo ter ocupado quase todos os espaços da casa de shows, de tanto que eu mudava de local, graças à movimentação do público.

Voltar com uma cerveja na mão é outro grande desafio. Se você levanta o copo para protegê-lo, a mão de alguém surge para dar porrada. Afinal, axé exige os braços sacudindo pra cima. Se você abaixa o copo para protegê-lo, é a vez dos cotovelos das pessoas atrapalharem. Afinal, axé exige que você sacuda os cotovelos para os lados depois de sacudir os braços para cima.

Desesperado, fugi para a entrada da casa de shows, onde muita – mas muita gente mesmo – estava sentada e deitada no chão, assistindo ao show por um telão. Com um som baixíssimo. O que leva um fã da Ivete a abandonar o show e ir lá para trás, ver tudo pelo telão sem som?

Não sei. Mas a pergunta que eu deveria me fazer era: o que um cara mais indie e alternativo como eu fazia num lugar daqueles?

 

 

 

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