Home

É o caso do brasileiro “Somos Tão Jovens”, sobre o nascimento da banda Legião Urbana. Sim, ao contrário do que se divulga por aí, não se trata de uma biografia da juventude de Renato Russo. Mas da fase embrionária da banda. Com Turma da Colina, Aborto Elétrico, Herbert Vianna, Plebe Rude, Capital Inicial, entre outros, transitando ao redor do ícone. O filme é daqueles com atores que dão vergonha alheia – em especial o que faz o sulafricano Petrus, com sotaque risível, e o que faz Herbert Vianna, no melhor estilo Casseta e Planeta. Os diálogos são superficiais e mastigados demais, com frases colocadas nas bocas dos personagens – como “eu me sinto tão sozinho” – que poderiam ter sido transformadas simplesmente em imagens ou sentimentos. Trechos de músicas são inseridos de forma infantil e banal no roteiro, como “que país é esse?”, “acho que gosto de meninos e meninas” e “que festa estranha e que gente esquisita”. A tentativa de tornar isso interessante ou até uma brincadeira para os fãs se torna risível quando colocada em prática. Não há cuidado artístico com enquadramentos, fotografia ou direção de arte, apesar do esforço deste último departamento em fazer uma reconstituição fiel de época. Renato é endeusado desde o começo, como se tivesse nascido mito e fosse fadado ao sucesso. As músicas da bandas estão por todos os lados, seja na narrativa, quando tocadas pelos personagens, seja na trilha, para marcar os pontos dramáticos. De todas as formas, esqueça tudo isso que eu falei. O filme é legal pra caramba. É divertidíssimo ver o nascimento da Legião, por mais rabo preso que seja esta produção, autorizada por banda e família. É curioso ver como nasceram algumas das canções mais tocadas do rock brasileiro, como por exemplo “Eduardo e Mônica”. Eu, pelo menos, não sabia que o Eduardo foi inspirado no Dinho Ouro Preto. Mas é só quando a obra chega ao seu final, mostrando cenas reais de Renato Russo cantando “Será”, ao vivo, que o filme atinge seu objetivo e entendemos realmente a grandeza do cantor e compositor. Ali, e não no restante do filme, vemos um brilho mágico naquela voz e naqueles gestos meio Ian Curtis, meio Morrissey. Vemos realmente o que foi e é Renato Russo, para gerações que já foram e outras que ainda virão.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s