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“Todos nós nos deparamos com lugares que se tornam estreitos em determinado momento. O corpo não gosta de sair, de mudar. São a estreiteza e o desconforto que o convencem de que não existe outra saída. Mas para onde ir se o corpo não conhece nada diferente de si mesmo? Saber abrir mão desse corpo na fé de que outro se constituirá é saber dar o passo que leva até onde “não dá mais pé”. Enquanto der pé estaremos estacionados. Esse profundo ato de confiança em si e no processo da vida garante a passagem pelo vazio que magicamente se concretiza em chão sob nossos pés. O que não existia passa a existir e um novo lugar amplo se faz acessível. Saber entregar-se às contrações do lugar estreito rumo ao lugar amplo é um processo assustador, avassalador e mágico. Passar por um processo de mutação de maneira bem-sucedida é irromper em um outro corpo que não se sabia que poderia conter nosso eu.”

De A Alma Imoral.

Dica da gata Catharine Marinho.

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