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Está aí a sinopse de Homem de Aço. Talvez um dos maiores blockbusters que eu já vi no cinema, seguindo o estilo apocalíptico e imenso da triste série “Transformers”. Ou seja, isso não cheira muito bem, não é mesmo? Então, vamos ser diretos: achei o filme médio. Tem coisas boas, tem coisas ruins, tem coisas mais ou menos e outras ridículas. Não é uma bomba, mas também não tem a qualidade criativa de um O Cavaleiro das Trevas. Vale a pena ver, principalmente se você é fã do cinema-montanha-russa-pipoca-no-automático.

Eu curti vários momentos e quase dormi em outros.

Grandioso, você vê na tela cada centavo gasto na produção. Tudo é gigantesco, explosivo, furioso, homérico e titânico. O próprio Superman é um semi Deus, o novo messias, que aos 33 anos vem dar sua vida pela humanidade. Seu berço é guardado num estábulo. Ele é criado por uma família que entende sua “santidade”. Ele realiza milagres ao longo de sua vida. E entrega seu corpo para o sacrifício pela sobrevivência do homem. A todo momento fica clara a referência a Jesus Cristo.

Mas além da santidade, neste filme o personagem é claramente apresentado como um alienígena. Krypton ganha ares de civilização extraterrestre, fugindo da imagem paradisíaca e olímpica (no sentido de Olimpo) dos filmes anteriores. Seu povo, aqui, tem OVNIs, conquistam e exploram planetas e procriam como os humanos escravizados de Matrix.

Aí surgem os primeiros problemas. Há um certo esforço para trazer realismo à história e mais humanidade ao personagem, mas o tempo todo passamos a enxerga-lo ora como um Deus, ora como um ET. E tudo vai por água abaixo.

As impressionantes cenas de luta, com destruição, intensidade, força e barulho são talvez tudo que sempre esperamos ver envolvendo um personagem tão poderoso. Não resta dúvida alguma de que este é sim um Homem de Aço. Uma pena que se perca tanto tempo com elas na segunda parte do filme, causando certos bocejos da plateia. É muito bacana vê-lo sendo arremessado cidade afora, destruindo prédios e atravessando paredes. Mas quando isso acontece pela quarta e quinta vezes, se torna mais do mesmo. As habilidades da kryptoniana Faora impressionam, mas também se repetem. É tanta destruição, tanta ação, tanta força que isso acaba se esgotando e ao final nada mais impressiona. Você fica tão acostumado a tanta intensidade e grandiosidade que elas perdem seus efeitos hipnóticos.

A mão do genial Christopher Nolan – a mente criativa da recente trilogia do Batman – não salta neste filme. Ele, conhecido por roteiros que se explicam demais, mas por grande destaque aos personagens e cenas muito bem pensadas de ação, ficou apenas como produtor e criador da história original. Não vemos muito de seu estilo na tela.

Zack Snyder, diretor de 300 e Watchmen, faz aqui o pouco que sabe fazer bem: bons efeitos especiais com muita pancadaria. Ele tenta, em alguns planos, trazer certa poesia ao universo de Superman, com cenas que lembram Terrence Malick – sim, lembram de verdade, não é uma heresia. Pois é exatamente nestes trechos que o filme consegue uma ligação maior com o espectador, mostrando o sofrimento, o isolamento e a solidão que Clark Kent passa ao longo da vida.

Henry Cavill traz humanidade e emoção a seu Superman – sem a inocência e bondade de um Christopher Reeve. Michael Shannon exagera na loucura criando um Hitler demente e obcecado – as referências do roteiro ao controle dos nascimentos não é por acaso. Russel Crowe está um tanto risível enquanto consciência e pai de Superman, surgindo em todos os cantos e apontando as direções de forma cômica – e, convenhamos, ele está longe de ser um Marlon Brando. Kevin Costner, envelhecido e quase sem cabelo, traz humanidade ao padrasto de Clark, assim como a ótima Diane Lane, como a madrasta. Uma pena que tenham dado a Costner uma saída de cena burra e quase ridícula, perdendo a vida em um tornado, tentando salvar um cachorro. Amy Adams faz o possível com um personagem ruim e mal encaixado na história – tudo que envolve Lois Lane parece forçado no filme, como quando Zod a chama para a nave ou quando ela escala uma montanha de neve atrás de Clark. Lawrence Fishburne é mais um coadjuvante de luxo, sem espaço para nada além de olhares preocupados e sorrisos irônicos.

Temos sim um reboot do personagem no cinema. Este filme em nada lembra a quadrilogia original com Christopher Reeve ou o filme de Bryan Singer, com Brandon Routh, de alguns anos atrás – este, uma homenagem à série de Reeve.

Os dois primeiros Superman com Christopher Reeve – em especial o segundo – são duas das melhores adaptações de HQ da história do cinema – talvez ao lado de X-Men 2 e O Cavaleiro das Trevas – e, mesmo que não tenham efeitos especiais para mostrar a força e a intensidade que o personagem exige quando em ação, atingem um nível artístico e de entretenimento que este novo filme não consegue. A série de Reeve envelheceu, mas quem foi impactado na época não sentirá a mesma coisa neste filme de Snyder.

Falta muita coisa em Homem de Aço. Falta a emoção que vemos em algumas cenas de Clark Kent. Falta o Lex Luthor de Gene Hackman. Falta mais profundidade aos personagens. Falta um roteiro mais bem escrito e amarrado. Falta mais sentido à história. E, não duvidem, falta a música de John Williams. Aquilo, sim, é Superman.

Divirta-se.

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