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“Life’s a dream.
In dream you can’t make mistakes.
In dream you can be whatever you want.”

Terrence Malick é dos poucos cineastas em mais de 100 anos de cinema que conseguem subverter completamente a narrativa cinematográfica tradicional. Seus filmes são basicamente estruturados em locuções em off e clipes não cronológicos que exigem uma participação ativa do espectador, que vai montando a história em sua própria cabeça. Mas mais do que isso, exige que o espectador aflore seus sentidos porque só assim a experiência será completa. Não basta sentar na cadeira e olhar, é preciso se envolver com o filme, participar e compartilhar com você mesmo suas próprias histórias, enquanto  absorve as belas imagens e os belos textos que são jogados na tela e no audio. Como eu sempre digo, não se trata de cinema, mas de poesia. É uma experiência completamente diferente de qualquer outra.

Neste novo filme, “Amor Pleno”, Malick consegue uma narrativa um pouco mais clara e objetiva que sua obra-prima anterior, “Árvore da Vida” (leia minha crítica aqui). Há uma história muito clara aqui, até fácil de acompanhar e entender. Mas mesmo assim, não espere um cinema tradicional. Não espere ser levado pela história. Ela vai acontecer e se você não acompanhar, ficará perdido. Por isso, corra atrás. Não durma. Não fique passivo. Participe.

Aqui, temos uma reflexão sobre o amor. O amor romântico entre um casal. O amor religioso por Deus. O amor altruísta por qualquer um. O amor egoísta, provocado pela solidão. O amor da mãe que cria a filha. O amor da mãe que perdeu a filha. O amor ciumento da madrasta. O amor da natureza.

A história basicamente se resume a um americano que se apaixona por uma européia em Paris e acaba se mudando com ela e a filha dela para uma cidadezinha do interior dos EUA. Ele consegue um emprego de checagem de toxinas no solo enquanto ela fica perdida neste novo mundo, nesta nova cultura, assim como sua filha. Mas o amor da mulher pelo homem é capaz de superar tudo. Ela quer que ele aceite este amor. Ela quer que eles se tornem um só. Mas ele não. Não quer casar. Ela acaba por encontrar abrigo nas palavras de um padre espanhol, que está em crise com Deus. Ele não consegue achar provas concretas desse amor divino.

A fotografia, novamente com sol baixo, perto do crepúsculo, com ambientações sempre na sombra enquanto os prédios e torres são iluminados por uma luz amarelada, com um céu rosado ao fundo, é de babar. Há uma utilização poética da luz natural nos ambientes internos, além de muito contraste entre luzes direcionadas e pontos escuros. Cria-se, assim, um clima de sonho e reflexão que ajudam no mergulho de seus próprios pensamentos e experiências.

Ben Affleck praticamente não fala. Ele desfila no filme como um fantasma. Ele quase não conversa. Não se abre. Não dialoga. Olga Kurylenko, quase irreconhecível, também imprime certa frieza à sua personagem, não conseguindo compartilhar o amor que ela tanto fala. Rachel Weiz, Michael Shannon e Jessica Chastain, que faziam personagens coadjuvantes, morreram na sala de edição – como é comum nos filmes de Malick – e foram cortados do filme.

Quando eu comprava o ingresso, a moça da bilheteria alertou: “Dizem que esse filme é horrível. Tem gente que sai da sala com 10 minutos de projeção”. Claro, não iniciados não vão compreender. Não vá assistir se você não faz a menor ideia do que é ver um filme de Malick. Trata-se de uma catarse, conseguida por esta fotografia poética, monólogos sensíveis, música emocionante e imagens hipnotizantes. Só Malick consegue surpreender tanto.

Se quiser ter uma experiência única, corra para o cinema. Até porque, os filmes de Malick são feitos para as salas e a tela grande, e não para serem vistos em casa. Nenhum filme dele sobrevive numa tela pequena com celulares, geladeiras e tablets à mão. Não. É preciso se trancar na sala do cinema e mergulhar neste mundo de poesia e sonho.

“We wish to live inside the safety of the laws. We fear to choose. Jesus insists on choice. The one thing he condemns utterly is avoiding the choice. To choose is to commit yourself. And to commit yourself is to run the risk, is to run the risk of failure, the risk of sin, the risk of betrayal. But Jesus can deal with all of those. Forgiveness he never denies us. The man who makes a mistake can repent. But the man who hesitates, who does nothing, who buries his talent in the earth, with him he can do nothing.”

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