O show rolou quarta-feira passada, o reloginho da rotina girou seus ponteiros e eu esqueci de trazer para cá algumas palavras de como foi esta experiência. Talvez a palavra que melhor a defina seja “hipnotizante”. Vale lembrar que estamos falando de uma banda/duo de dreampop, ou seja, que praticamente não agita a platéia. Suas músicas não são para dançar, gritar ou pular. Eu diria que não são nem para cantar junto. Por isso mesmo ficamos todos contemplando, concentrados, a hipnose musical e gostosa – outra ótima definição para a noite – proporcionada pelo Beach House. Eles até decoraram o palco com uma parede de cordas de aço, onde eram projetadas imagens que ajudavam a compor essa atmosfera sensorial e contemplativa. Foram poucas vezes que vivi noites tão deliciosas no Cine Jóia quanto esta. Tudo estava perfeito, desde o frio lá de fora até a casa estar cheia, mas nem de longe lotada como no sábado seguinte, com Clarice Falcão, ou semanas antes, com The Breeders. E nada melhor do que curtir tudo isso com um grande amigo como o Ricardo Kenski e uma ótima colega como a gin tônica. São Paulo segue nos surpreendendo e proporcionando ótimos shows perdidos nessa agitada agenda de programas culturais.

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