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Bastou um sábado para eu conhecer a série cinematográfica Jogos Vorazes. Vi o primeiro filme na HBO pela tarde e a sequência, de nome “Em Chamas”, no cinema à noite. Engraçado que um dia antes meu colega Nicholas Bergantin havia me perguntado se eu tinha visto o filme e respondi cheio de preconceitos “Claro que não”. Quebrei a cara. Desculpa, Nicholas.

A série é boa, principalmente o segundo filme. Ele vai muito além do primeiro, não só no tom épico e na grandiosidade das cenas (o orçamente do novo foi o dobro do anterior) mas principalmente na profundidade da mensagem.

As questões político-sociais sobre Estado (e seus deveres) e cidadãos (e seus direitos), sobre poder e submissão, sobre pão e circo e, principalmente, sobre a exploração da massa por uma parte pequena da sociedade (nada mais atual em qualquer país do mundo), vibram na tela graças a uma dedicação maior à história pré-Jogos. No primeiro filme, a competição tem muito mais destaque do que neste. Aqui, acompanhamos toda a trajetória dos personagens pelos Distritos e o crescimento da insatisfação do povo, antes de embarcarmos nos jogos do título do filme.

É verdade, também, que tenho certeza que grande parte do público não vai absorver quase nada destas mensagens. Pra maioria, garanto, o que mais interessa são as explosões, os casos de amor, as flechas e mortes na floresta. Uma pena. É sempre bom ver blockbusters com profundidade política. Muito melhor do que superproduções vazias.

Também me surpreendeu o excesso de bons atores no elenco. A começar pela oscarizada e excelente Jennifer Lawrence. Ela é hipnotizante. Temos também Woody Harrelson, Donald Sutherland, Philip Seymour Hoffman, Stanley Tucci, Jeffrey Wright, Amanda Plummer, Elizabeth Banks e até Toby Jones, perdido num pequeno papel como comentarista do programa de TV. É raro tanto talento junto num blockbuster.

Nesta sequência, o diretor de Constantine/Eu Sou a Lenda/Água Para Elefantes assumiu o posto do diretor de Pleasantville/Seabiscuit, que havia feito o primeiro, e surpreendentemente entregou o melhor trabalho de sua carreira.

Claro que querendo ou não é uma superprodução hollywoodiana cheia de efeitos especiais. Claro que no fundo o que se pretende é bater recordes de bilheteria e não mudar o mundo. Claro que não temos novidade alguma em termos de narrativa ou linguagem. A intenção não é essa. Mas temos um blockbuster levemente mais profundo que a maioria. E muito legal de assistir.

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