O britânico Stephen Frears é um diretor tradicional e conservador na forma. Listando seus filmes, logo se vê que não se deve esperar nada revolucionário ou inovador: “A Rainha”, “Alta Fidelidade”, “Herói Por Acidente”, “Ligações Perigosas”, “O Segredo de Mary Reilly”, entre tantos outros. Mas esse cara entende da técnica e da linguagem cinematográfica. Por isso é sempre ficar de olho no que ele faz.

 

“Philomena” foi uma grata surpresa pra mim. O filme, conservador na forma, é muito bom. Simples, correto e , com drama na medida certa.

 

A história lembra um belo dramalhão mexicano. Baseado numa história real, conta a história trágica da velha Philomena, uma irlandesa pobre que, na adolescência, foi trancafiada em um convento católico e teve o filho vendido pelas freiras. Cincoenta anos depois do parto, com a ajuda de um jornalista recém-demitido, ela parte em busca do paradeiro deste filho.

 

Mas não se engane. O filme é muito mais profundo do que parece. Temos na tela a disputa de duas visões de mundo. A primeira, do jornalista vivido pelo ótimo Steve Coogan: culto, inteligente, crítico, explosivo, sarcástico, ativo e sangue quente. A segunda, de Philomena: inocente, passiva, acomodada e incapaz de nutrir o ódio.

 

É desse duelo de realidades que temos a grandeza do filme. Judi Dench brilha como a personagem principal (está indicada ao Oscar, mas não tem nenhuma chance de levar), graças a um roteiro muito bem amarrado, escrito pelo próprio Steve Coogan (conseguiu uma indicação ao Oscar de roteiro adaptado – o filme tem ao todo 4 indicações, incluindo Melhor Filme).

 

Prepare-se para uma série de críticas à Igreja Católica, à sociedade, ao preconceito, à passividade e à aceitação das coisas como elas são. O clímax do filme, num embate entre alguns personagens numa sala, Philomena nos dá um grande tapa na cara.

 

Não perca este filme excelente.

 

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