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A série cinematográfica, nas mãos do talentoso Bryan Singer, tem o mérito de ter dado início às adaptações bem sucedidas de quadrinhos para o cinema. Foi com “X-Men” que se provou poder fazer um filme com carga dramática, qualidade técnica, bilheteria de sucesso, sem passar pelo ridículo de colocar personagens vestidos com fantasias duvidosas.

Seguiram-se o ótimo “X-Men 2”, uma das melhores adaptações de HQ no cinema, os fraquíssimos e esquecíveis “X-Men 3” e “X-Men Origens: Wolverine”, e os ótimos “X-Men: First Class” e “Wolverine Imortal”.

Com tantos filmes, cada um indo para um lado, tivemos uma série de incoerências narrativas ao longo da série, como Wolverine ser irmão de Dentes de Sabre mas não dar a mínima quando cruza com ele na estrada no primeiro “X-Men”. Nem um “e aí, bro” rolou naquele encontro.

Chegou a hora de esquecer esse passado cinematográfico.

Por isso, com o sucesso da série Avengers e seus derivados, que conseguem dialogar de forma quase perfeita entre si, convocaram Singer novamente para a direção e trouxeram uma solução clássica dos filmes de ficção científica, usada recentemente no reboot de “Star Trek” para o cinema: viagem no tempo.

Criando-se uma nova linha temporal, esquece-se tudo que rolou nos filmes anteriores e, agora sim, pode-se construir uma série com filmes coerentes entre si.

“First Class” tinha dado um gás novo à série, que vinha cambaleante. Diálogos bem humorados, personagens bem construídos, atores talentosos, boa reconstituição de época e muita política. “Wolverine Imortal” seguiu por um caminho parecido, apesar da fraquíssima sequência final.

Pois eu esperava neste “Dias de Um Futuro Esquecido” uma evolução disso tudo, principalmente com a volta de Singer. Não entregaram. Não que isso seja ruim. Eles mantém a qualidade destes dois últimos filmes, envolvendo Magneto no assassinato de JFK, por exemplo.

Mas a opção por encher a tela de mutantes dificulta o ritmo dramático do filme, relegando bons personagens a poucas cenas e falas, como Vampira, que fica alguns poucos segundos na tela – apesar disso, o nome de Anna Paquim aparece nos créditos antes de Ellen Page, Peter Dinklage, entre outros.

Singer nos entrega uma divertida reconstituição dos anos 70, com ótimas cenas de ação – a do Mercúrio resgatando Magneto no Pentágono é antológica – além de sequências de tirar o fôlego no futuro – muitas, inclusive, remetem a Matrix e Exterminador do Futuro.

Matthew Vaughn, diretor de “First Class”, havia valorizado e muito os diálogos e a interpretação dos atores, impondo um clima mais minimalista à série, onde menos é mais. Agora, Singer torna tudo mais grandioso e complicado, o que incomoda em alguns momentos.

É engraçado também que a função deste filme é dar um reboot à série, fazendo o elenco antigo passar o bastão ao elenco jovem. Porém, ao final, soa mais como um fechamento da série. A sequência final, na escola do Xavier, lembra muito o último capítulo de novelas da Globo, onde se vê a obrigação de dar um fechamento a cada personagem, preferencialmente mostrando que todos estão bem. Só faltou uma personagem grávida.

De todos os modos, tenha certeza de que este filme é entretenimento de primeira, muito mais maduro e politizado que a maioria dos filmes de ação que tem por aí. Se ainda não conseguiram trazer à série a coesão e a amarração perfeita de filmes entre si, como Avengers, pelo menos entregaram uma obra que não fere seus neurônios e ainda valoriza o que mais importa no bom cinema: uma boa história, com bons diálogos e ótimos atores. E não se esqueça de ficar na sala esperando a já clássica cena de pós-créditos.

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