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A série “Planeta dos Macacos” começou no cinema em 1968, com o impactante e impressionante filme estrelado por Charlton Heston. Uma obra-prima cheia de cenas clássicas e um final perturbador.

Depois dele, veio uma série de filmes fracos, cheio de erros de linearidade, mas que encheu os cofres dos estúdios no começo dos anos 70. E rendeu até uma série animada para a TV.

Em 2001, Hollywood resolveu criar um reboot pelas mãos criativas de Tim Burton. Mas, tirando as interpretações magistrais de Helena Boohan Carter e Tim Roth, o filme era capenga e tentava repetir o impacto do final do original, com uma sequência de encerramento absurda, ridícula e sem sentido.

A série hibernou por 10 anos em Hollywood, até ter sido resgatada em 2011 com The Rise of The Planet of the Apes, com James Franco e John Lithgow. Ótimo. Agora, surge a sequência e aquele medo de descambar para um filme que exige mais de nossos bolsos do que de nossos cérebros. Sorte que não.

Esta sequência segue a qualidade do primeiro filme, valorizando uma boa história, uma profundidade política de fundo, bons atores (capitaneados por um subaproveitado Gary Oldman) e efeitos de altíssima qualidade – todos os macacos são feitos por computador??

Andy Serkis volta a encarnar o macaco superinteligente César, líder da macacada evoluída. Esta, começou uma nova sociedade nas florestas ao redor de São Francisco, longe da raça humana, dizimada por um vírus fabricado em laboratório. O ator, que já merecia uma indicação pelo seu histórico Gollum de “Senhor dos Anéis” – e um puxão de orelha por seu King Kong de Peter Jackson – merece uma menção especial nos anais do cinema. Sua “interpretação” é digna de algum tipo de prêmio, tamanha é a humanidade que ele fornece ao macaco computadorizado.

A direção de Matt “Cloverfield” Reeves é de tirar o chapéu. Confesso que torci o nariz quando Ruppert Wyatt, diretor do primeiro, deu lugar a Reeves. Wyatt havia feito um belo trabalho. Mas Reeves foi capaz de trazer um olhar diferenciado a este blockbuster, com uma série de cenas que encantam os olhos. Aquela em que um macaco toma um tanque de guerra e a câmera permanece fixa ali durante toda a sequência é de se aplaudir.

Em tempos de Israel trucidando a Faixa de Gaza, os EUA voltando a bombardear o Iraque e o candidato Aécio Neves defendendo uma revisão do Código Penal para combater a criminalidade, vale a pena voltarmos à essência da sociedade com este filme. Dois grupos tentando criar uma civilização. Um, antibelicista – “Macaco não mata macaco” – capaz de destruir todas as armas que toma posse. Outro, totalmente belicista, capaz de retomar os armamentos de uma civilização que deu errado.

É um alívio ver que a qualidade artística de Rise of The Planet of The Apes se manteve em Dawn of the Planet of the Apes, com seus silêncios, poucos diálogos, cenas sem música e muita criatividade. É um prazer saber que aquele foi um sucesso e, este, um sucesso ainda maior. Com tantos “Transformers” que vemos por aí faz bem saber que Hollywood ainda sabe apostar num entretenimento de qualidade.

 

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