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Filme pouco visto e pouco comentado, em cartaz em São Paulo, “Amores Eternos” conta a história de 4 vampiros centenários que habitam diferentes cidades do mundo nos dias atuais. Mas, Jim Jarmush (diretor de “Cafés e Cigarros”, “Uma Noite Sobre a Terra”, “Flores Partidas”, “Ghost Dog”, “Dead Man”, entre outros) entra no universo do vampirismo para fazer um paralelo nada ficcional ou lúdico de nossa sociedade. Temos ali o vício pela droga pura (aqui, o sangue O negativo), a negação a uma sociedade que deu errado (o músico Adam, vivido por Tom Hiddlestone), a pureza e ilusão de quem vê o copo sempre cheio (Eve, encarnada por Tilda Swinton), a alegria excessiva e impulsiva da nova geração (Ava, por Mia Wasikowska) e a decadência de quem brilhou no passado (Marlowe, por John Hurt). Não se engane, “Amores Eternos” não é um filme sobre vampirismo. O ritmo lento de Jarmush – uma metáfora à percepção da eternidade, que permite viver sem pressa, e uma afronta ao dinamismo enlouquecido do cinema atual – em nada tem a ver com os longas de ação e terror que inundam o gênero. Temos nesta obra uma reflexão de nossa sociedade, dependente dos mais variados vícios enquanto se envolve em disputas capitalistas (que geram guerras pelo petróleo ou pela água e esvaziam uma antes grandiosa Detroit), dominam nosso dia-a-dia com tecnologia e, apressada, não nos dá tempo para a construção de novos mestres. Os gênios da música, literatura e artes em geral estão perdidos no passado, porque essa pressa tecnológica baseada no lucro engole qualquer tentativa de poesia. Num tempo em que você precisa a qualquer custo entrar nesse jogo canibal, aqueles que tentam se ater a um passado glorioso – seja com um olhar pessimista ou otimista em relação ao presente – terão, uma hora ou outra, de voltar às suas origens animais e selvagens para sobreviver. Um belo pequeno filme, sensível e poético, para uma boa noite chuvosa e fria.

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Um pensamento em ““Amores Eternos”: a vida melancólica no nosso tempo

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