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O britânico Stephen Daldry tinha uma marca de se invejar. Até seu terceiro longa, ele havia sido indicado ao Oscar de melhor diretor por todos eles: o ótimo “Billy Elliot”, o bom “As Horas” e o mediano “O Eleitor” (o 2o deu o Oscar a Nicole Kidman e, o terceiro, a Kate Winslet). Depois, destruiu um dos meus livros favoritos, “Extremamente Alto, Incrivelmente Perto”, numa obra que é uma sucessão de erros homéricos. Mas isso é outro assunto.

Seu quinto filme, que é também seu primeiro longa brasileiro, é decepcionante. “Trash – A Esperança Vem do Lixo” é vendido como a primeira obra que reúne dois astros do cinema brasileiro: Selton Mello e Wagner Moura. Mas não se empolgue. A única – e breve – cena que junta os dois é uma piada. Muito, mas muito mais curta que a primeira cena que reuniu Al Pacino e Robert De Niro, em “Fogo Contra Fogo”. Se ali já foi decepcionante, agora é uma ofensa a quem esperava ver ambos juntos. Moura, aliás, mal aparece em cena ao longo do filme. Apesar do personagem ser o fio condutor da história, é mal aproveitado pelo roteiro.

Selton Mello é um caso à parte. Canastrão, cheio de caras e bocas, tenta repetir vilões de filmes americanos, mas sem sucesso. Com a testa sempre franzida, é outro talento que decepciona.

O trio de atores mirins segue a linha dos dois astros brasileiros. Os três, aliás, parecem destoar do restante do elenco, num ritmo de atuação mais intuitivo e solto. Enquanto os outros atores parecem seguir um roteiro, as crianças  atuam no improviso, o que às vezes rende algumas frases e palavras fora de contexto.

A dupla de astros norte-americanos Martin Sheen (eternamente de “Apocalipse Now”, além de pai de Charlie Sheen) e Rooney Mara (de “Os Homens Que Não Amavam as Mulheres” e irmã da jornalista de House of Cards) são outros dois que destoam no elenco. Com cara de coadjuvantes de luxo, mas mal aproveitados pelo roteiro, parecem servir somente como atração de público para a carreira internacional do filme. As frases ditas em português incomodam e a participação no filme soa forçada, principalmente para a personagem vivida por Mara.

A opção pelos depoimentos em vídeo, que acompanham a narrativa, é outra escolha que incomoda. Quebra a fluidez da história, que deveria ser uma montanha-russa crescente.

Mas o principal problema do longa é a tentativa de repetir a fórmula de “Quem Quer Ser Um Milionário”. Vamos lá. Diretor britânico: Stephen Daldry e Danny Boyle. País pobre pertencente aos BRICS: Brasil e Índia. Locação em bairros miseráveis. Elenco infantil. Roteiro baseado em coincidências que parecem absurdas e exageradas (sendo que no caso do filme brasileiro estão mal costuradas). E uma grande quantia de dinheiro como recompensa final. Ou seja, mudam-se alguns detalhes e temos praticamente o mesmo filme. Até um romance a obra brasileira conseguiu inserir de forma sutil para ficar mais parecida com o filme indiano – mas, aqui, de uma mulher e mais três. Ou é viagem minha?

Fiquei bastante decepcionado com o filme, como este texto deve demonstrar. É daqueles longas que incomodam bastante enquanto você assiste. Uma pena. Tantos talentos reunidos no cenário carioca mereciam um final mais feliz.

 

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