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Com SPOILERS.

Você, mais do que ninguém, sabe o quanto mudou ao longo dos anos. O você da escola com certeza é bem diferente do você da faculdade e do você da vida profissional. São os fatos da vida, a evolução pessoal e as máscaras sociais que moldam nosso eu durante nossas trajetórias.

Neste filme dirigido por Dennis Villeneuve (“Incêndio”, “Suspeitos), Jake Gyllenhall são dois, mas um só. Adam é o recatado, que pouco vive além da rotina do dia-a-dia. Professor mal pago, mora num escurecido apartamento de classe baixa em Toronto. “Pouco saio de casa”, diz. Mesmo assim, tem uma bela namorada que de vez em quando dá as caras por lá para dar algo além disso. Já Anthony é um ator. Não dá pra dizer que é bem sucedido, porém vive num belo apartamento e aparentemente não tem problemas mais profundos além da infidelidade no casamento. Gosta de colecionar mulheres, a ponto de frequentar eventos sexuais inusitados.

Na história, baseada em livro de José Saramago, acompanhamos Adam descobrindo que é uma cópia fiel de uma outra pessoa. Seu oposto. Anthony. Villeneuve nos leva pela mão ao longo dessa trajetória de revelações e dúvidas.

Mas as pistas deixadas ao longo do filme são capazes de solucionar qualquer suspeita. A foto rasgada de Adam e sua ex aparece inteira no apartamento de Anthony. A mãe de Anthony (Isabella Rosselini) conversa com Adam como se ele fosse o outro, sem estranhar quando ele diz não gostar de blueberries. A própria esposa de Anthony, mais do que ninguém, sabe que ambos são a mesma pessoa. Dois indivíduos divididos entre dois eus.

Adam/Anthony é cercado por mulheres de personalidade forte, talvez seja isso que faça com que ele se acanhe socialmente (Adam) ou parta para a conquista barata para provar que é mais poderoso que elas (Anthony). As aranhas, presentes ao longo de todo o filme, são esse poder feminino exercido sobre ele. Ao final, por exemplo, quando Adam assume a vida de Anthony para dar um casamento feliz à esposa deste último, na primeira oportunidade (a chave) perde o controle. Por isso dá de cara com a enorme aranha no quarto.

Mas, nada pode ser tão simples assim. Por isso, a marca de aliança no dedo gera dúvidas. Porque é uma obra aberta sem um desfecho claro e objetivo. Os envolvidos no filme, por exemplo, foram proibidos em contrato de falar sobre a simbologia da aranha. Claro, pouco interessa a verdade nisso tudo. O prazer está em acompanhar esta narrativa que nos joga dúvidas e mais dúvidas, mas também nos faz refletir e embarcar nesse mundo irreal. Filmes não precisam bater o martelo sobre nada quando têm narrativas fortes. Este é o caso: o filme cria uma tensão e um suspense que nos levam a questionamentos e reflexões, fugindo a passividade que a maioria das produções proporciona.

Villeneuve, com mais este filme, vai fixando seu nome entre os grandes cineastas da atualidade, sempre com obras firmes e inspiradas. Este “Homem Duplicado” é mais uma delas.

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Um pensamento em ““Homem Duplicado”: porque não somos um só

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