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Andava pela estrada como quem anda sem destino, já andava meio estranho há um bom tempo, saíra para andar e pensar na vida que já desandava, como quem anda torto pelas paredes, como quem anda meio caído e torto, já andava estranho há um bom tempo.

Tropeçou num crânio de boi, desses que a gente não encontra por aí, mas que naquelas andanças que ele tanto procurava, encontrou e tropeçou enquanto andava. Já andava estranho há um bom tempo.

Tropeçou no chão, como quem tropeça num crânio de boi, desses que a gente não encontra quando anda, mas que ele encontrara por ali. Andava pela estrada, meio assim, meio torto, meio estranho pela estrada, já andava trôpego, meio torto pelas paredes, mas andava.

Os dias já andavam quentes, tempos quentes que andavam fazendo, ainda mais quando se andava assim meio torto pela estrada, trôpego pelas paredes.

Fazia tempo que não andava, mas quis andar pela estrada naquela tarde quente, mesmo que trôpego e torto pelos cantos, se arrastando pelas paredes quentes, naquele dia que já andava quente pela manhã e que naquela tarde ia quente pelos cantos.

Andava assim, meio com calor, meio cansado de se escorar pelas paredes, de tropeçar no chão e naqueles crânios, desses que a gente não encontra quando anda, mas que andando pela estrada ele encontrara.

Andava assim, torto pelos cantos, cansado dos tropeços e das paredes, desses crânios que a gente não encontra, desses dias quentes que andavam fazendo, andava assim trôpego e cansado, já sem vontade, já sem fôlego, se escorando pelos cantos, se segurando nas paredes e nos crânios, com as mãos na terra e os joelhos na areia, já cansado desse andar meio torto pelos cantos, dos tropeços quentes daquela tarde, de se escorar nas paredes que andavam e daquela estrada trôpega e cansada.

Fazia tempo que não andava. Mesmo trôpego e cansado. Se escorando nas paredes. Já cansado pelos cantos. Tropeçando nesses crânios. De joelhos e cansado. Naquela tarde quente, ele andava.

Mesmo trôpego, como a vida que desandava, mesmo tropeçando pelos cantos, se escorando nas paredes, de joelhos ele andava. Tarde quente. Andava fazendo muito calor. Mesmo assim, ele andava.

Os crânios, desses que a gente não encontra quando anda. As paredes, que andavam trôpegas naquelas tardes. Os cantos, quentes como a vida que desandava. E ele andava pela estrada, mesmo de joelhos, torto ele andava. Trôpego, de joelhos. Tarde quente, dias tortos, estrada trôpega que andava. Mesmo trôpego. Andava e andava. Já andava estranho há um bom tempo.

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Um pensamento em “De Quando Parou Para Pensar

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