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Esqueçam os haters, povo fora da curva. Pegue a nossa geração, aquela chamada de Y (Yourself?). A gente tem um prazer sarcástico em criticar. Claro, tudo é muito mais exposto hoje em dia, então aquilo que seria ridículo numa mesa de bar ou na varanda de uma casa ganha escalas mundiais, chegando a nossos celulares e desktops a todo instante.

 

Nestas idas e vindas de posts, cansei de receber textos que detonam o que nossa geração tem de mais bonito. A idealização e a busca pela felicidade.

 

Toda geração é retrato de seu tempo. Eu e você não somos diferentes. A nossa talvez seja a que mais gosta de se martirizar. Imagino o rapazinho ou a mocinha da geração Y, sozinho no quarto a la Opus Dei, dando chibatadas sangrentas nas próprias costas.

 

A mais recente autocrítica que recebi foi esta aqui. Muito bem escrita, mas que me deu uma vontade insana de responder. Porque minha geração é assim.

 

Olha, nós não lemos as instruções do saquinho de arroz porque fazemos do nosso jeito. Nós, da geração Y, experimentamos e inovamos. Um grande amigo meu faz um arroz delicioso fritando na panela, nada perto do que o saquinho indica. E, sim, eu como arroz empapado, grudento, eu detesto macarrão ao dente e tomo vinho tinto com peixe. Porque eu gosto e pouco me importa o que dizem as regras ou a etiqueta. Estou mais interessado no que é bom para mim do que naquilo que os outros pensam.

 

Nós compartilhamos quase tudo sem ler porque nosso tempo pede isso. O bombardeio de informação e a facilidade de voltar atrás nos permite sermos afoitos. Melhor essa ousadia e coragem do que o medo que reinou na geração anterior. Claro que isso gera problemas como “a defesa sem conhecimento ou a idolatria sem porquê”, concordo com tudo isso, mas não vamos trocar nossa ousadia pelos nossos defeitos. A gente não erra por preguiça de ler o manual de instruções, a gente erra tentando ser diferente e isso, por si só, para mim já é uma grande vantagem.

 

Graças aos céus fazemos menos política na vida e mais no Facebook. Não queremos subir na carreira por policagens, mas por merecimento. Não queremos estar em um cargo porque puxamos o saco de alguém de cima, mas porque essa pessoa olhou para baixo e enxergou qualidade em nosso trabalho. Não entendo toda essa revolta com policagens no Facebook. Se isso irrita você, dou duas alternativas: unfollow ou delete. Bem simples e práticas, além de reversíveis. E, olha, se essas postagens vivem aparecendo na sua TimeLine é porque você interage bastante com essa pessoa. Ou seja, você gosta dela. E falar de política é parte dessa pessoa. Prefiro a discussão emburrecida e cega do Facebook do que os olhos e ouvidos tampados da geração passada. Prefiro que as pessoas leiam o ódio e os vômitos impensados nas Redes Sociais do que as informações maquiadas de verdade nos grandes meios. Garanto que algumas acabam refletindo e evoluindo com esses posts do Facebook. Taí algo muito positivo.

 

Tem quem lota a Internet de selfies de academia, tem quem lota de pratos de comida, tem quem lota de shows, tem quem lota de cachorros, porque é isso que gostamos de fazer com nossos amigos: nós compartilhamos e dividimos. Se não gosta, recomendo as mesmas alternativas do Facebook. Ninguém é obrigado a seguir ninguém nas Redes Sociais, não precisamos ter dedos.

 

Não comentamos que todos os amigos tomaram bala para curtir mais a noite porque não somos idiotas. A sociedade não vê o uso de drogas com bons olhos – considera ilegal, inclusive – então não faz sentido uma exposição dessas nas Redes Sociais, assim como não faria você contar isso na copa do seu escritório ou para o cliente antes de uma reunião.

 

A gente compartilha as cervejas artesanais porque os rótulos são bonitos, porque rendem boas fotos, ou porque são gostosas mesmo, mas bebemos as de pior qualidade porque são mais baratas. Nós valorizamos muito nosso dinheiro. Ao contrário da geração passada, em vez de comprar o “carro do ano” aos 30, vamos para a Tailândia ou algum país do Leste Europeu. Porque preferimos o nosso prazer do que esfregar nossas conquistas no focinho dos outros. Compartilhar é dividir experiências e alegrias. Não se engane.

 

A rede social, com seus eventos, inboxes e marcações facilitou e muito os encontros ao vivo. Tudo é mais rápido e fácil. É mentira que nos distanciou. Nos aproximou. Podemos sair tarde do trabalho e mandar uma mensagem dizendo que estamos passando para pegar o brother e tomar umas. Saímos do escritório numa tarde de sábado e já perguntamos no grupo onde a galera está bebendo. Compramos ingresso de cinema no caminho, sem risco de chegar lá e ter acabado. Reservamos restaurantes. Somos avisados de festas.

 

Claro que as bicicletas podem salvar o mundo da poluição e da rotina, nossa geração é bem mais mente aberta mesmo, mas não somos bobos e sabemos que ela é mais um meio de transporte. Algumas pessoas vão usar diariamente – porque já há ciclovias no caminho – outras de vez em quando, enquanto algumas não terão essa opção pelas grandes distâncias. É assim mesmo. Mas comemoramos a cada quilômetro inaugurado porque entendemos o quanto isso é importante para a cidade.

 

Lotamos filas do drive-thru de fast-foods? Eu particularmente não como lá há anos. E não vou até a esquina comprar pão porque prefiro de forma. Como moro sozinho, demora mais para estragar.

 

Não somos a geração da preguiça. Disso eu tenho certeza. Somos famintos não só por arroz, mas por experiências. Pela vida. Não há preguiça alguma nisso aí. O que não gostamos é de perder tempo à toa. Não gostamos de horas improdutivas. Detestamos nos sentir inúteis.

 

Preferimos escrever no computador porque é fácil de apagar. Porque valorizamos todas as conquistas tecnológicas que facilitem nossas vidas. É para isso que elas servem. Mas não deixamos de escrever um cartão de aniversário a mão, ou bilhetinhos escondidos para namoradas ou amigos.

 

Ainda bem que erramos sem medo. Ainda bem que temos a tecla apagar. Ainda bem que postar é fácil. Ainda bem que opinamos sobre tudo sem qualquer peso. Isso se chama democratização. Hoje você pode produzir uma peça literária, audiovisual ou musical sem precisar passar pelos antigos controladores dos canais de comunicação. Não precisamos mais de teste do sofá. E, convenhamos, sai muita coisa engraçada e até mesmo ridícula disso aí. Que bom. Rir faz bem. Mesmo quando é de vergonha alheia.

 

Acreditamos que todo mundo pode viver do que ama fazer. De verdade. Porque tenho amigos que amam advogar, cuidar de restaurante, falar sobre novos gadgets, tratar de pessoas e, pasmem, fazer carreira numa multinacional. Somos todos diferentes e temos gostos diferentes. Não se engane, há espaço para quase todos eles. Nem todo mundo quer publicar um livro. Nem todo mundo quer pintar um quadro. Nem todo mundo quer ter um escritório de arquitetura.

 

Ainda bem que acreditamos nas ideias e não apenas no suor. Se nós fugimos do suor é porque sabemos que não vale a pena. Perdemos, sim, uma noite de sono trabalhando para realizar. Para realizar. O que detestamos é perder uma noite de sono à toa, por capricho de chefes de gerações anteriores, por desorganização das empresas, por ignorância.

 

Não somos nós, de nossa geração, que não escutamos os conselhos dos pais. Filhos ignoram esses conselhos em qualquer geração. A psicologia explica, não o nosso tempo. E viveremos tudo isso quando formos pais.

 

Ainda bem que escrevemos declarações de amor públicas para amigos no aniversário que nem lembraríamos não fosse o aviso da rede social. Ainda bem que há esse aviso. Ainda bem que há essa rede social. Ainda bem que há amigos. O meu aniversário foi recentemente e me fizeram muito bem aquelas palavras de carinho. De pessoas que eu nunca sentaria numa mesa de bar, ou nunca iria ao cinema com, mas que de alguma maneira, por estarem no meu Face, fazem parte de minha vida. Que mania de achar que amigo é só aquele que a gente vê o tempo todo. A amizade é um sentimento que vence o tempo e a geografia. Ainda bem que há a rede social. E nunca vou julgar um amigo porque ele esqueceu meu aniversário. Que amizade é essa?

 

Não telefonamos mais? Bom, eu particularmente nunca gostei de ligar. Detesto do fundo de minha alma – era da comunidade “Eu Odeio Falar Ao Telefone” no Orkut. Mas faço Facetimes, Hangouts, Skypes e muito, muito Whatsapp que me conecta a todos os amigos que estão distantes na rotina e no mapa, vários deles espalhados pelo mundo.

 

“Sou de uma geração cheia de ideais e de ideias que vai deixar para o mundo o plano perfeito de como ele deve funcionar”. Mas não vai ter feito muita coisa porque não vencemos sempre. Nem nós, nem a X, nem os baby boomers. Porque, independente de gerações, a vida é assim. Conquistamos parte do que queremos. Perdemos muito nesse caminho. Mas o que importa é que queremos algo melhor. É que pensamos num mundo melhor. Isso já alimenta o todo. E, pouco a pouco, vai ajudando a melhorar.

 

Bom, esse papo me deu fome. Vou fazer arroz. Bem empapado.

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2 pensamentos em “A geração que tudo critica, principalmente a si mesma

  1. Pingback: O blog está fazendo 3 anos! | daguito rodrigues

  2. Ola. Primeiramente, quero dizer que suas ideias e posicionamentos são bem interessantes, embora nada inovadoras.

    O mais lamentável é que o excesso de afirmativas demonstra uma certa arrogância no sentido de ” somos o centro do universo e nada ou ninguém pode nos deter”… risos… ou seja, falta a experiência e até mesmo a humildade em considerar que existem outros caminhos, outras formas, e, o mais importante, vocês não consideram que a vida é regida por uma relação de causa e efeito, o universo é assim.

    Dessa forma, você esqueceu que para alguma coisa acontecer, não basta ter uma ideia, mas também precisa executar…

    Essa geração vive na sombra dos pais e/ou responsáveis que são tidos como ultrapassados e retrógodos, entre outros adjetivos que vocês os denominam, e esquece que o tempo, o conforto e o suporte, vem desses, ou seja, ficar filosofando e viajando nas idéias é muito bom, e existe desde o início dos tempos, mas chega um momento em que vocês precisam ter um choque de realidade, e isso é preocupante, pois para alguns é tarde demais.

    Produzir, buscar, trabalhar, criar, pensar, amar, aproveitar, caritar, etc… tudo faz parte de um mesmo pacote.

    Será que nesses momentos de filosofia a maioria de vocês se pergunta: Como eu faria se não existissem os ultrapassados retrógodos pais pagando a minha conta?

    O fato é que tudo é muito bacana, enquanto tem alguem pagando a conta…

    Discursos muito bons, posições bem colocadas, idealismos muito fortes, porém, vocês vivem em um mundo onde só existem benefícios e direitos. Será que vocês sabem que uma coisa é resultado de outra??? Acho que não, pelo menos na prática, embora na filosofia vocês demonstram ser os mais justos do mundo…risos

    Mas o processo evolutivo é assim mesmo, na vida e no mundo, tudo nasce, cresce, se machuca, aprende, acerta, erra novamente, acerta mais uma vez…

    A burrice dessa geração é não saber unir a experiência e bom senso dos ultrapassados com a sua fome de aprender e os recursos atuais.

    Boa sorte… e lembre-se, a vida é causa e efeito, ou seja, se fazemos por onde, ela nos responde positivamente e na mesma intensidade, se apenas criticamos, pensamos e filosofamos, ela tambem nos responde, mas …é a lei do universo.

    Abraço

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