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E lá vem Tarantino com mais um filme para chocar e gerar discussões. É o que ele tem feito ao longo da carreira, acertando algumas vezes e errando em outras. Com “Os Oito Odiados”, acho que ele ficou no meio do caminho.

É engraçado. Estava discutindo com amigos, depois de ler um texto na web, sobre como Hollywood vem reciclando as mesmas ideias, criando reboots de sucessos do passado para minimizar custos (Jurassic World, O Despertar da Força, Avengers etc.). Mas sem ousadia e inovação. E o cara que ficou conhecido por sempre tentar ir além embarcou nesse trem e nos entregou uma espécie de revisão de Cães de Aluguel, seu primeiro e melhor filme.

Sim, Tarantino é especialista em reciclar ideias. Tem uma memória absurda e costuma pescar cenas, figurinos, situações, personagens e músicas de filmes antigos para criar suas obras – veja abaixo. Mas neste caso ele não gerou algo novo. “Os Oito Odiados” tem um quê de déja vu.

Não é um filme ruim, mas também não está entre os melhores do diretor. Este é o oitavo longa dele (Tarantino considera Kill Bill um filme só, a produtora que quis dividir) e traz todos os maneirismos que já conhecemos: monólogos, sangue, palavras que gerariam processos se ditas numa rua de Nova York, atores em grande estilo, divisão em capítulos, boas músicas etc. E é exatamente a área que ele melhor conhece onde o filme começa a escorregar: o roteiro. Não digo pela história em si, ainda bem criativa, mas pelos diálogos, desta vez um tanto didáticos e redundantes demais. O filme ficou verborrágico e cansativo. Em especial na primeira parte, em que Tarantino abusa dos silêncios, oferecendo um possível épico de western, para depois desistir e nos entregar um filme de câmara. Sacaninha, o Taranta!

Já no quesito direção, área em que ele vem evoluindo, consegue aqui deitar e rolar dentro de um espaço diminuto, que é o Armarinhos da Minnie: uma casa sem divisórias, pequena, perdida no nada. O controle do espaço e da movimentação dos atores é de se aplaudir de pé. Ainda mais em 70mm, que amplia o formato da tela. Uma pena não termos uma projeção neste formato no Brasil, para vivermos toda a experiência que ela proporciona – além das cenas extras que o diretor preparou.

Mas confesso que estou um pouco de saco cheio do sangue e das cabeças explodindo que viraram marca do diretor. Em especial quando ele nos entrega filmes em sequência que sempre terminam em carnificina. Chega, né? Vamos tentar algo diferente?

Não é magistral como Cães de Aluguel ou Pulp Fiction, mas também não é fraco como Prova de Morte, Jackie Brown e Django. Está ali no meio, mas ainda assim, inferior a Kill Bill e Bastardos Inglórios.

Faltam dois filmes para Tarantino encerrar a carreira – ele quer ter apenas 10 obras. Está longe, muito longe, de entregar uma filmografia sucinta mas coesa como foi, por exemplo, a de Stanley Kubrick.

 

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