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Quando assisti O Quarto de Jack/Room, a única coisa que eu sabia sobre o filme era que está indicado a 4 Oscars. Sugiro que você faça o mesmo, ou seja, não continue lendo este texto caso ainda não tenha visto o filme. Sua experiência como espectador será muito melhor. Portanto, pare de ler agora.

Vamos lá, você que viu o filme percebeu o quanto ele é ao mesmo tempo leve e pesado. Como consegue pegar uma história monstruosa e nos fazer enxergá-la pelo olhar inocente de uma criança. Afinal, você sabe que Joy ficou 7 anos sequestrada e teve um filho de 5 anos no cativeiro, fruto dos estupros constantes. Quando esta ficha cai no espectador, este toma uma porrada na cara como poucas vezes vimos no cinema. Já estamos apaixonados pela pureza e fantasia do pequeno Jack, um dos seres mais fofos jamais surgidos nas telas de cinema.

Nós passamos a primeira parte do filme vivendo a fantasia que ela criou para tornar o mundo – ou, o mundo deles, no caso, o quarto – mais tolerável e menos sofrido. Nós somos Jack. E, assim como ele, somos surpreendidos no aniversário de 5 anos da criança quando ficamos sabendo que na verdade não há o espaço sideral do lado de fora do quarto e que quase tudo que vemos na TV existe e é real.

Sofremos com os planos malucos da mãe que, assim como na cabeça de Jack, não vão dar certo. Conhecemos este mundo exterior, tão diferente, pelo olhar inexperiente da criança.

Pois é quando Jack consegue salvar a mãe e ambos saem do cativeiro que mesmo o olhar puro e fantasioso do menino não será capaz de tornar o mundo mais tolerável. Porque na vida real, a mãe e a própria criança não dependem só de si, não mantém um isolamento das demais pessoas e são obrigadas a encarar tudo o que ele exige – mídia, família, trabalho, preconceitos etc. Este contraste entre um começo no cativeiro que deveria ser horrível mas é lúdico e uma segunda parte fora dele, que deveria ser mais leve e feliz mas é mais triste e depressiva é um grande acerto.

Uma pena que toda a coragem que sobra no início do longa, a ponto de sugerir cena de estupro e de violência física envolvendo a criança, falta na segunda parte. O filme parece não ter tanta coragem de se aprofundar nas dificuldades de adaptação da menina estuprada cujo fim da adolescência e início da fase adulta lhe foram roubados e da criança que nunca teve contato com o mundo – nem com as pessoas que nele habitam.

Com o Globo de Ouro, o BAFTA, o prêmio do Sindicato de Atores, entre muitos outros, nas mãos, Brie Larson chega neste domingo como a favorita ao Oscar. Merecido. Sem a leveza e a força com que ela carrega cenas tão inusitadas o filme iria se perder. Ela consegue imprimir realismo a um furacão de emoções tão díspares que parece ter realmente vivido todo o sofrimento que está nas telas. Tudo isso sem escorregar para o clichê, para o melodrama ou para a forçação de barra. Nunca imaginaríamos que a Envy Adams de “Scott Pilgrim Contra o Mundo” seria capaz disso.

Mas quem nos brinda com a melhor interpretação no longa com certeza é o ator mirim Jacob Tremblay. Ele é de uma fofura e uma beleza como nunca vimos nas telas. Ele é a alma da obra, é nosso guia, nosso narrador, nossa pureza e inocência. Ele é o ser mais humano do filme porque o mundo e suas mazelas ainda não o destruíram.

“O Quarto de Jack” foi uma belíssima surpresa. Pena que quase ninguém esteja assistindo uma obra tão sensível.

Jacob Tremblay recebe o prêmio da crítica:

O trailer que conta tudo:

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