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Filmes de terror que dão medo de verdade são raros. Nos últimos tempos, obras do gênero causam mais bocejos e risadas do que arrepios. Então quando este “A Bruxa” chegou com ótimas críticas e a promessa de arrepiar até a alma, corri para o cinema. Mas tudo que ganhei foram mais bocejos.

O filme é muito bem produzido, com uma roupagem de filme de arte que garante boa ambientação, figurinos e direção de arte caprichados e fotografia dessaturada cheia de estilo. Levou o prêmio de direção em Sundance. Mas há muito se sabe que o hábito não faz o monge. Para um bom filme nascer é preciso mais do que firulas e beleza, é preciso um bom roteiro. E isso falta por aqui, mesmo com seus diálogos pomposos em inglês arcaico, extraídos de publicações da época.

Muito se disse que o filme tem o mérito de não abusar dos clichês do gênero e seus sustos fáceis provocados por brincadeiras com a linguagem cinematográfica. Mas isso não é verdade. A opção por apenas um fiapo de história, o isolamento na natureza, crianças estranhas, rezas e orações, sacrifícios e mutilações, possessões, vômitos bizarros, sussurros na floresta, bruxaria, tudo isso já foi trabalhado à exaustão.

E mesmo coisas que parecem interessantes são deixadas de lado ou são mal aproveitadas: a sexualidade entre os irmãos, o machado da lenha, o retorno do menino, a presença dos gêmeos, o ódio da mãe pela filha, o coelho, a proibição de ir ao bosque, a casa da bruxa… Sempre digo que a sugestão é a regra para um terror ou suspense de sucesso, mas neste caso o longa morre só aí.

Porque o filme busca criar um clima crescente, jogando estes ganchos aos longo da história, com toda essa atmosfera tecnicamente impecável, construindo uma sensação de que algo muito assustador está sempre prestes a acontecer. O problema é que nunca acontece. Imperdoável num filme de terror. Ele morre na sugestão.

O ritmo é lento, com longos planos travestidos de filme independente, acompanhados de uma trilha sonora descaradamente chupada de Kubrick e pesada demais para as cenas. Ela ajuda nessa sensação de promessa sem entrega.

Uma pena. Eu estava doido para me cagar de medo.

Até me espantei com amigos nas redes sociais terem dito que morreram de pavor. Talvez tenham visto sozinhos, em casa. Mas um O Iluminado, Os Outros ou até O Sexto Sentido arrepiam a nuca mesmo que você veja de dia com a janela aberta. Até mesmo o recente Babadook dá mais medo.

A publicidade em torno de “A Bruxa” vende que este foi o filme que assustou Stephen King, o escritor mestre do terror. Poxa, mas desde 1980, quando ele odiou a adaptação de sua obra “O Iluminado” pelas mãos de Stanley Kubrick, sabemos que seus conhecimentos de cinema são bem questionáveis. Este é exatamente o caso de “A Bruxa”.

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Um pensamento em ““A Bruxa”: promete mas não entrega

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