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Maior festival de rock do Brasil – seja pop rock ou não, mas nem de longe tão pop quanto o Rock In Rio – o Lollapalooza se despediu na noite de ontem de mais um fim de semana em terras brasileiras. E talvez tenha sido a edição mais tranquila para mim, sem perrengues, sem filas, sem estresse. Apenas ontem, aos 45 do 2o tempo, tivemos a superlotação de Florence and the Machine, muito por culpa do festival, que não substituiu Snoop Dogg à altura. Enquanto Chile e Argentina chamaram Brandon Flowers, do The Killers, para o horário do músico que cancelou, o Brasil optou pela solução fácil – e já usada anteriormente – de chamar o Planet Hemp. Resultado? Palco Skol absolutamente lotado.

O Lolla se firma como um dos dois principais festivais de São Paulo para amantes do indie rock – o outro é o bem menor e melhor Popload Festival – ainda mais após as mortes do Planeta Terra, do Invasão Sueca, do Indie Rock Festival, do SWU e, lá atrás, bem lá atrás, do Claro Que É Rock e do TIM Festival. Vivemos uma época com menos festivais, está claro, mas os shows solos, mesmo em menor quantidade do que há alguns anos, ainda resistem no Cine Jóia, Beco, Audio Club, Espaço das Américas, entre outros lugares. Mas não se esqueçam que neste ano teremos o sempre bom e de graça Festival Cultura Inglesa, que deve trazer os animados Kaiser Chiefs.

Das bandas que eu queria ver neste Lolla’16, havia poucas que seriam novidade para mim. Apenas Jungle, Marina and The Diamonds e Florence and The Machine eu veria pela primeira vez. Das três, apenas Jungle valeu realmente a pena.

 

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OF MONSTERS AND MEN ***

Bandinha simpática vinda da gelada Islândia – a vocalista lembra, e muito, Bjork – ganha força em festivais graças os ôôôs de suas músicas e à energia no palco. Mas, convenhamos, não é bacana de ouvir em casa. As canções são bem bobinhas e fraquinhas. Mas valeu como um começo de festival. Um cartão de visitas leve e do bem. Combinou com a luz do dia e os looks coachellas de algumas pessoas. Simpático.

 

TAME IMPALA *****

Um dos melhores shows do Lolla’16, com um som cósmico e psicodélico. Foi a segunda vez que vi os caras ao vivo, primeira em festival, e funcionou. Lideraram muito bem o início da noite no Palco Skol, com público fiel e disposto a entrar na viagem sintetizada com luzes e cantos. Havia quem dançava, havia quem se hipnotizava. A banda vai se firmando como um dos nomes mais fortes do meio indie atual.

 

MUMFORD AND SONS ****

Pela primeira vez no Brasil, os britânicos descobriram uma legião de fãs fanáticos no país. Eu me surpreendi. Um público muito parecido com o do Dave Matthews Band, recheado de garotas levemente patricinhas e rapazes de academia e energético na mão. A presença pouco comentada do Xororó na platéia e a fivela prateada do vocalista não deixavam dúvidas: estão bem próximos do country americano, ainda mais do que do propagado folk inglês. De todos os modos, o show foi muito bom e cheio de energia, como já havia sido o que vi em Londres em 2011. O volume do som deixou um pouco a desejar.

 

MARINA AND THE DIAMONDS ***

No encerramento do bom primeiro dia, optei por Marina and The Diamonds e não por Eminem. A galesa que havia cancelado no ano passado por ter perdido o avião, arrastou uma multidão neste ano. Ela está bem mais pop do que era quando surgiu lá atrás, quando ainda tocava em baladinhas indies de São Paulo. O show teve bons momentos, mas essa presença diva no palco, cheia de movimentos ensaiados, me irrita um pouco. Foi um show extremamente pop. Mas um bom encerramento de dia.

 

ALABAMA SHAKES ****

Que showzaço para começar o segundo dia do festival. A força e a potência da banda, graças ao vozeirão e à simpatia da vocalista, conquistaram o público enorme que se aglomerou no Palco Onix, o mais “festivalesco” dos três, com suas montanhas e vale. O sol que surgia de vez em quando entre nuvens e batia direto na banda que vibrava no palco era um sinal de que ali, sim, estavam músicos que merecem todo o brilho que conquistam. Alabama Shakes, com toda a sua qualidade musical e rompimento de paradigmas, principalmente estéticos, mereceu a aclamação que ganhou ontem. Bandaça.

 

NOEL GALLAGHER’S HIGH FLYING BIRDS *****

Por motivos muito pessoais, foi o melhor show que vi em todo o Lolla’16. Por tudo que Noel e sua ex-banda Oasis significam em minha vida, por toda a lembrança que cada acorde traz pra mim, mas também pela qualidade impressionante desse músico britânico que vem construindo uma belíssima carreira solo. Foi meu terceiro show do cara, sétimo se contar também os do Oasis, e vejo que ele está sempre disposto a entregar o que mais queremos: um belo show de rock. Poucas vezes na vida você terá a experiência de ver dois hinos entoados aos prantos por uma multidão, como foi com Champagne Supernova e Don’t Look Back In Anger. Fantástico.

 

JUNGLE ****

Num esvaziado Palco Axe, o menor dos três, a dupla britânica Jungle, com sua banda, transformaram o Lolla’16 numa fantástica balada eletroindie que deu saudades dos bons tempos da noite rock paulistana. Com um som dançante com puxada eletrônica, os músicos levantaram o pouco público que se dispôs a assisti-los e entregaram uma das melhores apresentações de todo o festival. Foi simplesmente sensacional e inesquecível.

 

FLORENCE AND THE MACHINE **

Nunca fui fã dessa garota. Acho que a banda tem algumas músicas muito boas, mas no geral bem fraquinhas. Nunca consegui escutar um álbum inteiro sem pular canções ou sem me irritar com a chatice a ponto de desligar. Sério. Mas como não havia opção alternativa na noite de ontem – já vi Planet Hemp algumas vezes – optei pela garota que superlotou o Palco Skol. Foi o show mais cheio de todo o Lolla’16. Isso, claro, atrapalhou, mas a qualidade das músicas e aquela postura de diva – ou elfa, como escutei – irritaram os amantes da boa música. Ela ficava correndo de um lado para o outro com um vestido esvoaçante e quando abria a boca soltava uma voz fina e infantilizada, de menina de 15 anos que começa a entender a sensualidade mas a confunde com a fofice. É meiguice demais para mim, ainda mais depois de um dia com três showzaços poderosos de bandas bem diferentes entre si. O Lolla’16 merecia um encerramento bem melhor. Mas entendo esse público fiel que chorava e, em vez de cantar as músicas, gritava “diva! deusa! maravilhosa!”. Há espaço para tudo no Lollapalooza.

Que venha 2017!

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