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Hoje faço 36 anos. Satisfeito com cada um deles – menos com os fios brancos do cabelo e da barba. Tá, também não estou satisfeito com a barriga. Não é que todo mundo estava certo, quando a gente envelhece a comida se agarra feito carrapato? Mas vamos esquecer a parte física. Estou satisfeito com a minha idade – até porque, não tenho outra opção.

 

Claro que me arrependo de várias coisas – mais das oportunidades perdidas que das decisões tomadas. Mas o tempo mal aproveitado talvez seja o que mais me machuca. Mas sabe como é, a gente às vezes não está preparado no momento. Eu não me culpo nem me condeno, não confundo covardia com humildade. Faz parte.

 

O maior aprendizado de todos nesses anos é o da mudança. Como tudo muda! Rotina, amizades, gostos. Olha para o mundo, olha para a sua vida. Não tem mudado? Sou um cara que trilhou os 80 na infância, os 90 na adolescência e o século XXI na fase adulta. Vivi muita coisa diferente nesses anos todos. Minha vida já virou do avesso muitas vezes. Cidades, trabalhos, profissões. Quanta coisa! Tanto que é piada entre meus mais diferentes amigos me dar os parabéns pelos 43, 47, 55 anos. Mas sempre tive a sorte de jamais confundir a minha idade, bastava olhar o número do ano. 2016 termina em 6, então faço 36. Isso sempre me manteve mais calmo.

 

Às vezes bate uma deprê com algumas coisas. Claro, na montanha russa o que seriam as subidas sem as quedas? E este ano está sendo bem, digamos, especial nesse sentido. Confesso que a perda de algumas mentes criativas e que eu admirava, como David Bowie, Abbas Kiarostami e Hector Babenco mexeram de alguma forma comigo. Não que tenham ressaltado o quanto tudo é efêmero, tenho plena consciência da insignificância e brevidade de minha existência. Não é isso. O que sinto é que o mundo se tornou menos criativo, menos vivo sem eles e tantos outros. Isso dói de alguma forma.

 

E neste dia de balanços e reflexões, acho graça de quando lia sobre a história do Brasil, esses acontecimentos absurdos que fazem parte dela, e eu pensava como diabos as pessoas da época foram tão passivas. Daí olho para os lados, leio as notícias, converso com amigos e me espanto com nossos últimos meses e anos. O quanto fomos engolidos por campanhas difamatórias, discursos desconexos e emburrecedores, e aceitamos um dos maiores micos de nossa jovem Democraria. Aceitamos este governo ilegítimo e mau caráter, costurado por gente hipócrita e desleal. Não que o governo democraticamente eleito estivesse livre disso tudo, mas, cara, foi eleito. E tinha sim uma vontade, nem que pequena, de tentar mudar ou fazer diferente. Tudo aconteceu tão rápido e de forma tão pesada que deixou a gente atordoado até agora. E parece que não vemos o absurdo disso tudo. Olha para a TV, olha para os jornais. É uma piada. Como ouvi ontem numa palestra com Augusto de Campos, não existiu surrealismo no Brasil porque ele, por si só, já é um país surrealista.

 

Então, olho para fora do Brasil e vejo Trumps, Hillarys, Brexits, Nices, Orlandos, Paris, Muniques, Turquias… e dá uma sensação de que involuímos enquanto civilização. O que explicaria também o que vivemos hoje em nosso país.

 

Mas também posso olhar para o lado, ouvir amigos e amigas próximos que estão tão à frente disso tudo. Posso pegar uns vídeos e textos na Internet que fazem ter esperança de que na verdade aprendemos muito e estamos prontos para dar um passo à frente.

 

Sabe aquela história de que a noite é sempre mais escura antes do amanhecer? Então. Acho que é bem por aí.

 

Enfim, só queria compartilhar com vocês um pouco do que as reflexões de aniversário me trouxeram. Este meu ano que termina foi bom. Aprendi muito nos últimos meses, conheci novos amigos – pessoas espetaculares, fiz cursos que sempre quis fazer, viajei bastante e tive oportunidades que agarrei com paixão e vontade. Só tenho a agradecer pela chance de tirar um sabático dessa máquina de moer chamada rotina. Foi ótimo.

 

Hoje é meu Reveillón. Minha temporada 2015-16 termina e os roteiristas da vida preparam a nova. Hoje é a estreia. E o que me deixa mais feliz é saber que eu sou o headwriter dessa sala de roteiristas. A série é minha. E estou pronto para escrever novas histórias. Todas que eu quiser.

 

Desejo a todos tudo de melhor que estão me desejando neste 28 de julho. E se alguém quiser me dar um presente, sugiro que se dê um presente: compre uma cópia do meu livro “Vozes na Rua”, leia e depois me diga o que achou. Me fará muito, mas muito feliz. Parabéns a todos nós e um feliz aniversário. \o/

 

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