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Não sou o brasileiro médio. Nunca vivi as mazelas. Nunca vivi a realidade brasileira. Sou privilegiado em absolutamente todos os aspectos. Mas tenho consciência. Sou realista e sinto compaixão. Sou viciado em História. Me preocupo com o outro. Me preocupo com a maioria.

Hoje estou muito triste. Arrasado, diria. Nem consigo encontrar uma palavra que traduza a dor no meu peito. Eu, que vivo da escrita desde sempre. Depois de tantos anos de conquistas, chegamos a este futuro obscuro que está diante do Brasil. Deste precipício. Procurar culpados agora é alimentar o ódio. 

O pior aconteceu.

Muita gente ainda não entendeu o que significa este resultado de hoje. Num curto prazo, será um tempo de muita luta e questionamentos. De muitas perdas. A médio prazo, de endurecimento e repressão. A longo prazo, só o futuro dirá. Como otimista que sou, acredito que tudo vem para o bem. Que o bife sempre vira. Que obstáculos surgem para crescermos. 

Mas a que custo?

Vidas. Carreiras. Sonhos. Liberdades. Conquistas. Muito vai se perder num estalar de dedos. Numa canetada. E ódio. Violência. Opressão. Muito vai ser alimentado num prazo ainda mais curto. Em milésimos de segundos.

A barragem da represa de toda a lama que carrega aquilo que há de pior no ser humano foi derrubada nas urnas, numa aparente democracia. Tudo fachada. Sabemos dos crimes e da farsa. Sabemos dos acordos. Sabemos do golpe.

O futuro é duvidoso. Nossos inimigos estão no poder. Não vou esconder que caminhamos para um período de trevas. Por quanto tempo? Não sabemos.

O que mais dói é a derrota moral. Dos valores. É ver o passado, o retrógrado, o odioso, o sujo, o violento, o intolerante, o desumano, o inferno no poder. É ver tanta gente caminhando para um suicídio voluntário e coletivo. Para a morte sim. Sendo massa de manobra.

Mas não há nada pior do que descobrir que o fascista mora ao lado. Ver amigos, colegas e familiares debandarem de forma tão cega para o lado errado. Tentando me convencer. Me mandando Whatsapp. Quanta dor. Que ferida. Quanto sangue feito de lágrimas.

Decepção.

Como será? Não sabemos. Onde estaremos nessa nova sociedade? Entre os beneficiados pelo governo ou entre os que serão deixados para morrer? Entre os que estarão abaixo da linha limite que essa opressão vai estabelecer para a sobrevivência? E quem estiver abaixo? E toda essa gente? Nossa sociedade, nosso país?

Culpa eu não sinto. Pelo menos isso. Falei, postei, alertei. Abri discussões e conversas. Chamei a atenção desde o início dessa semente. Tentei até o fim. Estou com a consciência limpa e tranquila.

Minhas lágrimas levam meus sonhos, mas não minha esperança. 

Deixo minha indignação por tudo isso com vocês. Deixo meu amor e solidariedade para as mulheres, os negros, os LGBTs, os da periferia, os pobres, aqueles com deficiência, os massacrados, os esquecidos. Contem comigo para o que for preciso. Contem com as minhas mãos e as minhas palavras. Podem contar até com o meu sangue. Sempre na paz e no amor, estarei lutando ao lado do que acredito.

Que seja passageiro. Que seja breve. Que venha para o bem. Que nos guie para um nascer do Sol mais belo e harmonioso. Que nos guie para a luz. Nunca para trás.

Que eu esteja errado.

Que meus medos sejam apenas isso: um sentimento abstrato descolado do material.

Dou um forte abraço em cada um que acredita num futuro melhor. Dou um forte abraço em cada um que lutou e que lutará para um futuro melhor. Meu colo é de vocês. 

O sol voltará a brilhar.
Que venham os novos tempos. Estaremos lado a lado nessa jornada. Temos uns aos outros. Temos amor e esperança. Temos dignidade e compaixão.

É hora de nos protegermos. De sentirmos como será o amanhã.

Vai passar. Que seja logo. Que seja doce. O melhor da vida é o imprevisível.

Venceremos! A luta continua. \o/

“Podem matar uma, duas, cem rosas. Jamais conseguirão deter a chegada da primavera.”

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