Há uma fronteira invisível entre os mundos, entre os dois mundos que convivem dia a dia aqui na Terra. Digo Terra não só como planeta, mas como manifestação geofísica. Esse pedaço de rocha ovalada que gira e dispara a quilômetros por hora no vácuo infinito (?) da imensidão escura do nada. Há uma fronteira invisível que separa os dois grupos de seres que convivem nessa (quase) bola incontrolável – que nos mantém presos à sua superfície graças à força incompreendida pelos normais, explicada pela ciência. Há uma fronteira invisível entre os grupos de pessoas que acordam todos os dias, não importa o hemisfério ou continente, o país ou a cidade. Há uma fronteira invisível entre os que acreditam e os céticos, entre os que lideram e os que seguem, entre os que questionam e os que repetem. Há uma fronteira invisível entre a pergunta nova e a resposta velha, entre a criação e o roteiro pré-determinado, entre a novidade e a repetição do que é mais antigo, caquético e sem sentido. Há uma fronteira invisível entre a genialidade e o esquecimento, entre o inconsciente e o ego, entre a dúvida e a certeza. Há uma fronteira invisível entre o todo e o único, entre o coletivo e o individual, entre a leveza e o peso da materialidade. Há uma fronteira invisível que não deixa, ao menos por ora, enxergar qual é exatamente o lado de cá. Se é invisível, não se vê a fronteira, não se vê a borda nem o ponto em que se está. Há uma fronteira invisível e o que não se vê, se teme, o que não se vê, se persegue, o que não se vê, se destrói. Ainda há uma fronteira invisível.

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