Saí na varanda e perdi a Lua. Encontrei algumas estrelas, as três Marias e Vênus, forte e amarelada, como uma força poderosa tomando o terreno do globo branco que procurei em vão – todos pipocando na cúpula negra que cobre a cidade de tempos em tempos. Lua Nova, de nascimentos e renascimentos. Também de escuridão, de comunicação frágil e fragmentada, de confusão e insegurança. Lembrei que a nova (velha) Ministra, saída de algum filme de terror ou de comédia dos anos 50, falou do rosa e do azul, dividindo em grupos da Luluzinha e do Bolinha e carregando a mente dos dementes com novos (velhos) preconceitos. O que há de nascer ou renascer nesta Lua Nova, escondida entre pontos brilhantes, mas esparsos, bagunçados na organização caótica do universo? A Lua está lá, as estrelas também. E mesmo na escuridão há luz. Os pontinhos reluzentes se fazem presentes e estão mais conectados que nossa visão fragmentada nos permite perceber. Não façamos com o todo a mesma divisão antiquada e retrógrada que aquela excelentíssima senhora fez. Não somos como ela. E aprendendo com a noite podemos entender todas as fases, com luz e sombra, com crescimento e decadência, a que estamos submetidos sempre. Tudo é um pulmão que infla e desincha. Que inspira e expira. Que cresce e diminui. O movimento será sempre esse. Seja com a ignorância ou com a esperança no poder. Nosso caminho parece mais complicado, mas ainda é o mesmo. Basta que a gente siga em frente. De preferência, sem olhar para trás. Turbulências acontecem, mas o avião sempre pousa são e salvo em seu destino. Apertem os cintos, está só começando.

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