Foi numa pista qualquer, muito tempo depois. Eu quis sorrir, mas ainda sobravam lembranças. Tentei um abraço e as memórias se enfiaram no meio. Escondido, derramei saudade. Como se cumprimenta um grande amor? Com beijos tortos e abraços frouxos. Bochechas e bocas numa dança fora de ritmo. Sorrisos amarelos perdidos entre frases soltas e vazias. Quem diria que depois de tanto tempo iria faltar intimidade e sobrar vergonha? É que profunda mesmo, só a dor. Nessa onda de segregação e polarização, de um lado eu, do outro você. Pelo bem da humanidade e do coração partido. Será porque os opostos se atraem que seu lado ficou tão negativo?

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