Ouço passos na casa vazia, estou sozinho. Deito no piso sujo da sala, ando nos corredores enrolado nos lençóis. Aqueles mesmos de ontem. Brancos. Passos que não são meus. Casa que já foi nossa. Ouço as vozes que vêm do quarto, que vêm da sala. Só queria dizer que ainda escuto, que ainda soa o caminhar. Ainda reconheço a sua voz. Só queria dizer que ainda vale a pena amar. Que ainda há tempo para sonhar. A porta ficou aberta. As janelas eu escancaro para deixar o sol entrar. E ele vem. Só quem não chega até aqui é você. Ainda vale a pena amar, ainda há tempo para perdoar. A casa será sempre sua.

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