Prêmios da indústria nunca foram nem jamais serão sobre merecimento. Trazem um termômetro de como anda o mercado e o humor dos profissionais.

No caso do Oscar, é sabido que os indicados são apontados pelos profissionais de cada área – roteirista vota em Melhor Roteiro e Ator em Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante – com exceção de Filme Estrangeiro, votado por uma comissão obrigada a assistir a todos os apontados pelos países e Melhor Filme, cujos indicados são escolhidos por todos. Por isso normalmente os indicados fazem certa justiça dentro do cinema mainstream.

Mas os vencedores são eleitos por todos da Academia – formada em sua maioria por atores bem medianos e fracos. Por isso Green Book é capaz de ganhar Melhor Roteiro de A Favorita ou Melhor Filme de Roma.

Muitos profissionais deixam de levar a estatueta por terem má fama nos bastidores – vide Jim Carrey – ou ganham pela boa fama e simpatia – Jeff Bridges.

Glenn Close é uma das grandes atrizes da história, tem sete indicações, mas Olívia Colman está soberba em A Favorita. Talvez a estatueta não faça parte da vida da atriz, talvez ela se junte ao grupo dos grandes artistas que levaram apenas categorias menores ou prêmios honorários – Kubrick, Chaplin, Fellini, Hitchcock, Tarantino. Pouco importa.

Foi uma noite bem politizada, com Pantera Negra brilhando e Spike Lee finalmente sendo premiado – por um de seus melhores filmes. Lady Gaga teve o que merecia, assim como Roma que, perdeu Melhor Filme, mas ganhou nas outras categorias.

Claramente os apresentadores não fazem a menor falta e a ausência deles deixa a cerimônia mais fluida e mais rápida.

Agora é correr e ver os que nem foram indicados, como os maravilhosos You Were Never Really Here, First Reformed, Leave No Trace, Boy Erased, Beautiful Boy e outros.

Pega os premiados do cinema independente, normalmente são os melhores do ano.

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