Lançado há bem pouco tempo, o quarto disco da Barbara Eugenia é um amor. As letras poéticas trazem uma leveza a este sentimento, que é a base de tudo na vida, e transformam relacionamentos numa brincadeira que tem sim sofrimento, mas também um humor leve e — por quê não? — certa insignificância. Amar faz parte do viver e, mesmo com foras ou amores não correspondidos, amaremos o tempo todo e, ainda bem, sempre encontraremos uma tampa para nossa panela. Então, por quê não cantar essa leveza, essa alegria e essa cara de bobo?

Cantora independente, Barbara traz para Tuda a essência da musicalidade indie: a conexão entre gêneros e estilos. Vemos ali um pé no pop, outro no axé, uma atmosfera new wave em alguns momentos, de guitarrada em outros, sempre com poesia afiada e arranjo criativo. Tudo isso com batuques, percussões, guitarras e sintetizadores, numa riqueza swingada que traz uma alegria gostosa e uma tranquilidade iluminada. Dá vontade de dançar na sala num sábado de sol.

Se o Brasil não fosse esse caos fascista onde praticamente todos de todas as classes sociais são analfabetos e ignorantes, de cultura rasa e sensibilidade inexiste, a parceria dela com Zeca Baleiro, “Bagunça”, ou minha favorita, “Perfeitamente Imperfeita”, estariam tocando em todos os cantos, de rádios a lojas de departamento. Tem potencial pop, mas de altíssima qualidade. Nada do álbum tem a pobreza musical ou a poética vazia da maioria das músicas de massa que ocupam o espaço que deveria ser por direito dessas músicas. Uma pena, mas sinal dos tempos.

Meus destaques ficam com as já citadas “Perfeitamente Imperfeita” e “Bagunça”, além de “Querência” e “Saudação”.

Faça um favor ao seu sorriso e ao seu coração, coloque Tuda para tocar num almoço de domingo e cozinhe uma moqueca de banana da terra para a pessoa que você ama ao som deste lindo e delicioso disco.

https://youtu.be/lvb8VzzcehE

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